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A norma ISO 9001 encontra‑se em processo de revisão, estando atualmente disponível um Draft International Standard (DIS) para a futura edição 2026. Esta nova versão está prevista para substituir a ISO 9001:2015 em setembro de 2026, de acordo com a documentação oficial da ISO. O propósito desta revisão é assegurar que a norma permanece atualizada e relevante, respondendo às necessidades dos mercados contemporâneos, às transformações tecnológicas e às expectativas crescentes das partes interessadas.
A comparação entre a ISO 9001:2015 e o draft da ISO 9001:2026 revela um conjunto de alterações estruturais, editoriais e conceptuais que poderão influenciar de forma significativa tanto a implementação como a auditoria dos sistemas de gestão da qualidade. Embora muitos requisitos fundamentais se mantenham, emergem elementos novos, desde a reformulação da relação entre risco e oportunidade até à incorporação explícita de fatores ambientais, que exigem atenção por parte das organizações certificadas.
A ISO 9001:2015 apresenta uma estrutura consistente com o Anexo SL, com uma narrativa coesa entre a abordagem por processos, o ciclo PDCA e o pensamento baseado em risco.
No draft da ISO 9001:2026, embora a estrutura geral se mantenha, surgem inconsistências internas, nomeadamente a contradição entre as cláusulas 0.1 e 0.4 quanto à relação entre o pensamento baseado em risco e a abordagem por processos. Esta falta de harmonização pode constituir um desafio interpretativo para utilizadores, auditores e consultores.
Na edição de 2015, os riscos e as oportunidades são tratados como conceitos complementares no âmbito do pensamento baseado em risco, sendo explicitado que o risco pode ter efeitos positivos ou negativos e que oportunidades podem derivar de desvios positivos do risco.
O draft de 2026 adota uma abordagem distinta: estabelece uma separação formal entre risco e oportunidade, apresentando-os como elementos opostos e introduzindo subcláusulas independentes (6.1.2 e 6.1.3). O Anexo A reforça essa distinção ao afirmar explicitamente que “risks are not opportunities”. Esta alteração conceptual poderá implicar adaptações relevantes nos métodos de avaliação, registo e tratamento de riscos e oportunidades.
Enquanto a ISO 9001:2015 remete integralmente para a ISO 9000:2015 em matéria de termos e definições, a versão draft de 2026 incorpora, no corpo da norma, um conjunto alargado de definições, incluindo “organização”, “processo”, “risco”, “desempenho”, entre outras.
Todavia, conceitos críticos — como “oportunidade” e “direção estratégica” — continuam sem definição oficial, apesar da sua relevância para a interpretação dos requisitos, o que pode produzir ambiguidade e leituras divergentes.
A edição de 2015 introduz o conceito de contexto organizacional de forma clara e estruturada, sem referência a fatores ambientais específicos.
O draft de 2026 inclui, tanto em 4.1 como em 4.2, referências explícitas às alterações climáticas como elemento a considerar na determinação do contexto e das necessidades e expectativas das partes interessadas. Este aditamento reflete uma tendência internacional, mas poderá implicar um aumento das exigências de análise ambiental e estratégica em sectores onde tal requisito ainda não era considerado relevante.
Além disso, o draft clarifica que a organização poderá determinar quais requisitos das partes interessadas serão integrados ou não no sistema de gestão da qualidade, reforçando a flexibilidade interpretativa.
Na ISO 9001:2015, os requisitos de liderança centram‑se na integração do SGQ no negócio, no foco no cliente e na comunicação da importância da conformidade.
O draft da edição 2026 introduz referências à promoção de uma “cultura da qualidade” e de “comportamento ético”, embora sem requisitos mensuráveis ou critérios objetivos para avaliação. Esta inclusão poderá reforçar a subjetividade durante auditorias, uma vez que tais elementos são de difícil demonstração documental.
A edição 2015 estabelece claramente que os objetivos da qualidade devem ser mensuráveis.
O draft de 2026 altera este princípio ao permitir que os objetivos sejam mensuráveis apenas “quando praticável”, um enfraquecimento notório dos requisitos de desempenho. Este ponto poderá ter impacto na eficácia dos sistemas de medição e na robustez do planeamento estratégico das organizações.
Apesar da 2015 apresentar regras claras sobre manter e reter informação documentada, o draft de 2026 introduz alterações terminológicas que, segundo a análise crítica incluída no próprio documento, acabam por gerar maior complexidade e confusão interpretativa.
Adicionalmente, a versão 2026 revê a forma de tratar processos externalizados, removendo ligações essenciais entre cláusulas e enfraquecendo orientações sobre controlo de fornecedores externos.
Na edição 2015, o programa de auditorias apresenta requisitos completos e consistentes.
No draft de 2026, embora a estrutura se mantenha, a terminologia e coerência conceptual mostram fragilidades, incluindo o uso inconsistente do termo “monitorização e medição” entre diferentes capítulos, o que poderá afetar a forma como as auditorias são planeadas e executadas.
O Anexo A da edição 2015 é conciso e focado na clarificação da nova estrutura.
O draft da 2026 apresenta um Anexo A extensivamente expandido, com mais de vinte páginas, incluindo interpretações, recomendações e referências a normas complementares. Embora o objetivo seja facilitar a aplicação, a extensão e complexidade do conteúdo poderão gerar dependência excessiva de interpretações externas e criar maior heterogeneidade nas auditorias.
Conclusão
A futura edição da ISO 9001 anuncia mudanças que, embora não alterem radicalmente os requisitos fundamentais, têm potencial para influenciar de forma substancial a interpretação e operacionalização da norma. A introdução de novos conceitos, a reformulação do relacionamento entre riscos e oportunidades, a inclusão de requisitos contextuais adicionais e a expansão do Anexo A poderão exigir reajustes significativos nos sistemas de gestão já implementados.
Recomenda‑se que as organizações acompanhem de perto os desenvolvimentos da revisão, de modo a assegurar a transição suave e a manutenção da conformidade futura.

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